8. - Adeus Emílio Caldas!
 
 

Emílio José Pinto Caldas e a sua noiva Irene partiram para Lisboa em viatura própria. Quiseram, como milhares, estar perto da A.R. para assistir de imediato à resolução do «caso Vizela».
Como todos, o Emílio festejou, abraçou e fotografou com a sua máquina o efusivo acontecimento. Emílio Caldas, o humilde professor de matemática e de informática; ; o vizelense assumido, o filho de uma das mais nobres famílias vizelenses. Depois de se despedir dos irmãos Luis e Tó, partiu a pé, debaixo da maior alegria e comoção em direcção à sua viatura, perto do Hotel Altis. Caminhava no meio do seu povo quando o seu coração baqueou. Não foi resistente à alegria que o inundava. Foi levado ao hospital de S.José onde equipas médicas tentaram reanimá-lo. Sem efeito.
O coração do Emílio parara quando o coração de Vizela começara a bater.
Tinha 41 anos. Era novo. Como o novo concelho que o mesmo ajudara a nascer.
Sem querer, o Emílio remeteu milhares de pessoas ao silêncio. Retirou-as da festa popular que abraçava as ruas que um sem número de vezes ele percorreu.
Olhos choraram, agora de tristeza. O Emílio morreu. Um rapaz novo. Um bom rapaz. Um amigo. Um irmão. Um filho do povo. Um bom vizelense.
Muitas centenas de pessoas acompanharam-no debaixo do maior silêncio até à sua última morada, horas depois de toda a Praça da República lhe guardar o mais religioso minuto de silêncio.
Sobre a sua urna, a bandeira do concelho de Vizela e a do Callidas Club.
Emílio foi o primeiro a tombar após a trombeta da vitória.
Vizela jamais o esquecerá. Porque Vizela amava-o e ele amava Vizela.
 
( in Notícias de Vizela, nº 720, de 27.03.98)
 
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