Emílio José
Pinto Caldas e a sua noiva Irene partiram para Lisboa em viatura própria.
Quiseram, como milhares, estar perto da A.R. para assistir de imediato
à resolução do «caso Vizela».
Como todos, o Emílio
festejou, abraçou e fotografou com a sua máquina o efusivo acontecimento. Emílio Caldas, o humilde professor de matemática
e de informática; ; o vizelense assumido, o filho de uma das mais
nobres famílias vizelenses.
Depois de se despedir dos irmãos Luis e Tó, partiu
a pé, debaixo da maior alegria e comoção em direcção
à sua viatura, perto do Hotel Altis. Caminhava no meio do seu povo
quando o seu coração baqueou. Não foi resistente à
alegria que o inundava. Foi levado ao hospital de S.José onde equipas
médicas tentaram reanimá-lo. Sem efeito.
O coração
do Emílio parara quando o coração de Vizela começara
a bater.
Tinha 41 anos. Era
novo. Como o novo concelho que o mesmo ajudara a nascer.
Sem querer, o Emílio
remeteu milhares de pessoas ao silêncio. Retirou-as da festa popular
que abraçava as ruas que um sem número de vezes ele percorreu.
Olhos choraram,
agora de tristeza. O Emílio morreu. Um rapaz novo. Um bom rapaz.
Um amigo. Um irmão. Um filho do povo. Um bom vizelense.
Muitas centenas
de pessoas acompanharam-no debaixo do maior silêncio até à
sua última morada, horas depois de toda a Praça da República
lhe guardar o mais religioso minuto de silêncio.
Sobre a sua urna,
a bandeira do concelho de Vizela e a do Callidas Club.
Emílio foi
o primeiro a tombar após a trombeta da vitória.
Vizela jamais o
esquecerá. Porque Vizela amava-o e ele amava Vizela.
( in Notícias de Vizela,
nº 720, de 27.03.98)
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