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Opinião
A ABOMINÁVEL MULHER CLICHÊ
É até louvável a periodicidade com que a mídia nos presenteia com novas estrelas. Afinal, o que é o mundo dos institutos de beleza sem as revistas e programas sobre e com gente famosa, ou alpinistas ao cargo? Não pretende me meter a crítica da crítica mas tvs, jornais e rádios são recheados de novos - e outros nem tanto - ícones da sociedade, reconhecidos e bajulados nas filas dos bancos, quando não estão com a cara estampada em propagandas de supermercado vendendo produtos em oferta. Todo mundo quer tirar uma casquinha e ganhar uma grana. Hoje quem não pode ser model - serve para garotas e garotos - tentam o jornalismo,( ou na pior das hipóteses, a publicidade) como mode de ganhar a vida e um pouco de fama. Enquanto se aguarda a aposentadoria de velhos clichês da mídia, os porta-vozes do status quo vigente há anos, as novas estrelas da mídia vão dando suas receitinhas e garantindo o espaço nas entrevistas dominicais e nos júris de todos os concursos promovidos nestas paragens.
Claro que é possível e existe muita gente boa dizendo coisas legais e que têm realmente a ver com o mundão que está aí fora e que a gente tenta acompanhar. Mas porque cargas d'água as novidades da mídia tem o sabor do já dito, já sabido e, outra vez ruminado?
Alguém acenda a luz e me explique isso. Evidente que todo mundo tem direito a ter sua opinião à esquerda, à direita, ao avesso ou ao cubo, mas por que meu Deus tudo e todos parecem que pensam igual?
Vamos dar nome aos bois. Sem ofensa é claro, mas me arrepio todo o domingo, quando folheio a Zero Hora e tá lá o título clichê da mulher clichê dando sua visão edulcorada do mundinho aconchegante e falsamente crítico que ela enxerga de sua vidraça limpinha. A poetisa e escritora MARTA MEDEIROS nos revela todas as suas angústias do cotidiano de uma mulher madura e realizada e, valha-me deus, com bom senso.
Esqueci de dizer que a dita cuja também é publicitária, uma profissão onde os maiores ídolos e modelos são o NIZAN GUANAES e o WASHINGTON OLIVETTO, duas gracinhas que ganham prêmios aqui e lá fora enquanto não fazem nenhuma campanha para o FERNANDO HENRIQUE.
A minha bronca é : em que mundo essa mulher vive? Quem ainda liga se uma mulher pode ou não ser amiga de um homem e ir com ele ao cinema? Qual é o bairro ou o PIB onde criaturas ainda se deparam com questões dessa natureza?
Não quero, e sei que é pedir demais, uma SIMONE DE BEAUVOIR, uma SUSAN SONTAG, uma CLARICE LISPECTOR, uma anônima e corajosa mulher que tenha sangue nas veias e diga ao que veio neste mundo cruel, injusto e fascinante. Mas não dá para falar a nossa língua, tocar as nossas feridas sem que tudo pareça um grande programa de variedades, tipo homem ideal, horóscopo e limpeza de pele?
Porra do caralho, eu falo assim e um monte de mulheres que eu conheço também.
Se preocupam com dinheiro, filhos (ou não) sexo - bastante e bem variado se possível - emprego, bebedeiras, amigos, infidelidade e com o direito de fazer aborto em um hospital limpo, sem ver a cara de algum açougueiro, tipo assistente do MENGELE.
Tá me entendendo? Que merda de universo feminino é esse onde muda o figurino, mas a coleira continua a mesma? Não dá para transgredir um pouco, só uma vez? Dizer alguma coisa que realmente importe, subverta e destrua os habitantes desta mídia obtusa e subserviente?
A dona MARTA me lembra aquelas colegas de escola que todos nós tivemos e nunca convidamos para sair porque parece que a gente leva a mãe junto. Tem uma porrada de gente legal, dizendo, escrevendo e falando coisas legais, suadas e reveladoras de um cotidiano onde nem tudo é asséptico, mas tem cara, cor e cheiro de honestidade.
Lena Annes